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Coração de aluguel
© Lenise Resende
Se, de meu coração,
você deseja ser,
o dono absoluto,
não se iluda
e, nem tente,
ele está loteado,
dividido em pedaços.
De graça, jamais o terá
por isso, somente um lote,
você poderá alugar.
Não é preciso contrato
- de boca, faremos um trato.
Fique enquanto puder
- pelo tempo que eu quiser.
Não precisa me agradar,
nem muito se aproximar.
Deixe que eu o procure.
Não me prenda, não me adule.
No dia em que se cansar,
vá embora sem avisar
e, não se volte, com esperança
de que irá me ver chorar.
Se saudade eu sentir,
realugo o seu lote
e, outro afeto passageiro,
ocupará o lugar vago.
Saiba que o meu coração
não dou e nem vendo
- alugo.
(2º Lugar do 1º Concurso Virtual de Poesia
Blocos On Line, 2000)
(Poema do livro Lendo & Relendo Poesias)
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