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No livro A
Essência do Budismo, o autor Traleg Kyabgon, nos diz que, as
boas ações, são "ações hábeis" que produzem experiências
positivas e criam disposições saudáveis. E, que qualquer
ação – corporal, verbal ou mental – que não leve ao
sofrimento dos outros, de si mesmo ou de ambos é ação hábil.
Vejamos algumas maneiras de praticar boas ações:
- Certa pessoa, uma vez por mês, pega parte de seu salário
e, sai à rua, entregando pequenas quantias para pessoas que
julga necessitadas. Outra pessoa, pega a mesma quantia e,
entrega, à uma instituição de caridade em quem confia. A
primeira pessoa, não confia em instituições e gosta de olhar
as pessoas que ajuda. Sem planejamento, dá quantias que
ajudam a satisfazer pequenos desejos. A segunda pessoa, sabe
que ajudou um grande número de pessoas, que não conhece e
que nunca irão conhecê-la.
- Certa pessoa, acredita somente em ações e, sai à rua,
disposta a ajudar aos necessitados. Outra pessoa, que não
pode andar e, raramente sai de casa, acredita em ações e
palavras. A primeira pessoa, ajuda crianças e idosos ao
atravessar a rua, dá informações e socorre os doentes e
feridos. A segunda pessoa, trabalha em uma equipe de amigos
de determinado hospital. Coordenando as ações do grupo, por
telefone e computador, entra em contacto com todos os
voluntários. Pessoalmente, comparece apenas nas reuniões
mensais.
- Certa pessoa, participa de todas as campanhas que ouve
falar. Recentemente, doou um grande número de roupas à
Campanha do Agasalho. Outra pessoa, raramente participa de
campanhas. Quando surge uma campanha, suas doações já foram
entregues. Entre as pessoas que trabalham para ela, há
sempre alguém precisando de algo, para si ou para um
parente.
Sabemos, que há formas diversas de fazer o bem. Mas, como
escolher, a quem fazer esse bem?
Talvez, se subirmos ao espaço, numa nave, e olharmos para a
Terra, seja mais fácil responder. Ao olhar o mundo, com uma
visão que nos pareça próxima a de Deus, provavelmente
escolheremos a humanidade. Todos, inclusive nós mesmos, são
merecedores de receber todo o bem que pudermos fazer. No
regresso dessa viagem ao espaço, voltando à realidade, nossa
visão vai estreitando-se. E, apontamos, nosso continente,
nosso país, nosso estado, nossa cidade, nosso bairro, nossa
rua, nossa casa... Se formos ultrarealistas apontamos o
nosso nariz.
Em relação ao fazer o bem, parece haver concordância que
deva ser feito. Agora, em relação ao "a quem", parece que a
discordância depende do local que estamos ao contemplar a
Terra e a humanidade, ou melhor, depende de nossa realidade. |