Fazer o bem sem olhar a quem
Fazer o bem sem olhar a quem
© Lenise Resende
 

No livro A Essência do Budismo, o autor Traleg Kyabgon, nos diz que, as boas ações, são "ações hábeis" que produzem experiências positivas e criam disposições saudáveis. E, que qualquer ação – corporal, verbal ou mental – que não leve ao sofrimento dos outros, de si mesmo ou de ambos é ação hábil.

Vejamos algumas maneiras de praticar boas ações:

- Certa pessoa, uma vez por mês, pega parte de seu salário e, sai à rua, entregando pequenas quantias para pessoas que julga necessitadas. Outra pessoa, pega a mesma quantia e, entrega, à uma instituição de caridade em quem confia. A primeira pessoa, não confia em instituições e gosta de olhar as pessoas que ajuda. Sem planejamento, dá quantias que ajudam a satisfazer pequenos desejos. A segunda pessoa, sabe que ajudou um grande número de pessoas, que não conhece e que nunca irão conhecê-la.

- Certa pessoa, acredita somente em ações e, sai à rua, disposta a ajudar aos necessitados. Outra pessoa, que não pode andar e, raramente sai de casa, acredita em ações e palavras. A primeira pessoa, ajuda crianças e idosos ao atravessar a rua, dá informações e socorre os doentes e feridos. A segunda pessoa, trabalha em uma equipe de amigos de determinado hospital. Coordenando as ações do grupo, por telefone e computador, entra em contacto com todos os voluntários. Pessoalmente, comparece apenas nas reuniões mensais.

- Certa pessoa, participa de todas as campanhas que ouve falar. Recentemente, doou um grande número de roupas à Campanha do Agasalho. Outra pessoa, raramente participa de campanhas. Quando surge uma campanha, suas doações já foram entregues. Entre as pessoas que trabalham para ela, há sempre alguém precisando de algo, para si ou para um parente.

Sabemos, que há formas diversas de fazer o bem. Mas, como escolher, a quem fazer esse bem?

Talvez, se subirmos ao espaço, numa nave, e olharmos para a Terra, seja mais fácil responder. Ao olhar o mundo, com uma visão que nos pareça próxima a de Deus, provavelmente escolheremos a humanidade. Todos, inclusive nós mesmos, são merecedores de receber todo o bem que pudermos fazer. No regresso dessa viagem ao espaço, voltando à realidade, nossa visão vai estreitando-se. E, apontamos, nosso continente, nosso país, nosso estado, nossa cidade, nosso bairro, nossa rua, nossa casa... Se formos ultrarealistas apontamos o nosso nariz.

Em relação ao fazer o bem, parece haver concordância que deva ser feito. Agora, em relação ao "a quem", parece que a discordância depende do local que estamos ao contemplar a Terra e a humanidade, ou melhor, depende de nossa realidade.




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