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Pudinzinho
© Lenise Resende
Desde pequena ela
gostava de fazer pudins. Todos diziam que tinha boa mão.
Ganhou o apelido de Pudinzinho. Guardava as receitas de
cabeça, não gostava de anotar em caderno. Pediam as receitas
e ela dava, mas advertia: "Não se avexe se não der certo e
tente de novo."
Cresceu e tornou-se prostituta. Seus talentos eram
conhecidos e reconhecidos naquela cidade. Quando algum
engraçadinho perguntava: "Sabe fazer amor gostoso,
Pudinzinho?" Ela respondia, sorrindo: "Posso tentar, meu
rei!"
Quando conseguiu juntar um dinheirinho, foi ser doceira.
Alugou uma lojinha e colocou uma placa: A Rainha do Pudim.
Quando algum engraçadinho perguntava: "Sabe fazer pudim
gostoso?" Ela respondia, sorrindo: "Posso tentar, meu rei!"
Quando indagada sobre a razão de tanta modéstia, respondia:
"A gente tem receita pra tudo: pra fazer amor, pra fazer
doce... Se a gente tentar, muitas vezes dá certo e outras
vezes desanda. Usa os mesmos ingredientes, faz do mesmo
jeito e, ainda assim, desanda. A gente até tenta fazer tudo
igual, mas não consegue. A receita pede ovos e, os que usei
hoje, não poderão ser usados amanhã. Ontem choveu e hoje
está sol. Ontem eu tinha tempo, hoje estou com pressa. A
gente tem a receita pra fazer amor e doce, e nunca sabe se
vai ficar gostoso. Mas a gente pode tentar, meu rei! A gente
pode tentar!"
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